Sunday, December 16, 2007

Caí na real

Não está dando nada certo este esquema que eu inventei. Ler blogs só fora da empresa, no tempo livre? Que tempo livre? E pior, quando finalmente consigo uma brecha na correria rotineira, tenho que colocar em dia mais de uma semana de atualizações de todos os blogs que eu leio. Pfff! Não dá. Vou precisar pensar em outra fórmula (embora eu saiba que não há outra).


E escrever? Tanta coisa acontecendo aqui. Quero contar para vocês, voltar a interagir todos os dias, deixar que dêem palpite... Sinto saudades, acreditam? Pois.


Acho que todo mundo devia ter o direito de acordar de manhã, sentar-se para tomar o café olhando o jardim e depois fazer algo que lhe desse prazer - no meu caso, ler/escrever - antes de sair para o trabalho. Virou moda chamar isso de qualidade de vida. Juro que não sei do que se trata. Mitologia, ficção. Qualidade de vida devem ter duendes e fadas, não é?



Sunday, November 04, 2007

Nota da Redação

Eu não acesso, leio, comento ou escrevo mais blogs no trabalho. Não que fazer isso antes atrapalhasse o meu trabalho. É só uma questão de cuidado mesmo. Não quero misturar alhos com bugalhos, ou trabalho com diversão. Não fazia sentido que eu, que zelo tanto pela minha privacidade, continuasse deixando descoberto um flanco para todo o pessoal de TI da empresa.

Comprei um computador para uso exclusivo meu aqui em casa. Como eu consegui compartilhar uma máquina com meu irmão por todos esses anos me parece, agora, um mistério a ser investigado pela ciência. Ele é computer geek total e, a cada vez que eu ligava o PC, descobria que ele havia mudado alguma coisa de hardware ou movido arquivos e programas para cantos inescrutáveis. Era de torrar a paciência de qualquer santo, imagine o que acontecia comigo, que não tenho paciência nenhuma.

Com a compra do meu computador, evidenciou-se um outro problema: eu quase não tenho tempo livre que coincida com momentos de privacidade (condição sine qua non para alguém que pretende escrever um blog secretamente).

Então ficamos assim, caros amigos (vocês bem sabem quem são): a lê-los, continuarei, podem estar certos. Quanto a comentar ou escrever, fica para quando der. Se der.

Inspira, expira

Quando parece que finalmente terei a chance de começar a estagiar na clínica, me dá um medo louco. Tanta coisa nova a aprender, tantas decisões a tomar, tantas escolhas a fazer!

Ainda não está nada certo e, confirmando-se a aprovação no processo de seleção, terei que respirar bem fundo, entrar na sala de Mr. President e negociar mudanças no meu horário de trabalho. Lembrando das aulas de terapia cognitivo-comportamental – a linha da Psicologia que menos faz sentido para mim – eu fico aqui tentando evitar pensamentos disfuncionais e procurando lembrar que o máximo que pode acontecer é ele me dar um sonoro NÃO no meio da cara. A técnica, no entanto, não está se mostrando nada eficaz, confesso.

Thursday, September 13, 2007

Leia o livro, veja o filme e ouça o livro

I wonder who first discovered the efficacy of poetry in driving away love!

I have been used to consider poetry as the food of love, said Darcy.

Of a fine, stout, healthy love it may. Everything nourishes what is strong already. But if it be only a slight, thin sort of inclination, I am convinced that one good sonnet will starve it entirely away…

Jane Austen em Pride and Prejudice



Pois é, as coincidências. Preciso dizer o quanto eu ri ao ouvir isso logo após escrever aquele texto sobre o fatídico poema?

Pela primeira vez, estou ouvindo um audiolivro*. Não por acaso, escolhi um que já havia lido antes. Não vou discorrer novamente sobre o meu apego às obras da Jane Austen, dona de um imenso talento para expor o ridículo da sua época com a mais fina ironia. Venho ouvindo no carro e gargalhando muito enquanto os outros motoristas ficam me olhando como se eu fosse doida. A história, embora nada inédita para mim, é tão divertida!

Empolgada com a novidade, cheguei a procurar audiolivros brasileiros, mas, pelo jeito, são horríveis. O narrador da obra cujo trecho eu ouvi é artificial e pomposo. Não sei se é assim para outros livros (não tive paciência de ouvir outros), mas acredito que ficarei restrita à minha primeira e única aquisição.


*áudio-livro?

Tuesday, September 11, 2007

Alguém tem coragem de verbalizar

"Os homens nunca se apaixonam perdidamente. Já as mulheres se apaixonam de uma forma que dá até pena."



Talvez não com essas exatas palavras, mas o Manoel Carlos disse isso no Fantástico domingo. Verdade cruel. Adorei.

Wednesday, September 05, 2007

"Canta, ó, musa, a ira de Aquiles!"

Não satisfeito em me chamar de “mozinho”, meu caro colega me mandou um e-mail com um anexo. O tal anexo, dizia o texto do e-mail, era uma "poesia" que ele havia escrito para mim.

Medo. Oremos.

Evitei abrir o anexo; na verdade, queria deletar tudo sem ler. Aquilo que virou moda chamar de vergonha alheia tomou de mim em antecipação ao que meus olhos estavam por encontrar. Mas não podia simplesmente fazer isso, pois sabia que ele ia me interpelar na faculdade hoje sobre o assunto. Porque as pessoas, vocês sabem, não têm simancol. E são ousadas. Elas sabem que eu sou formada em Letras. Elas sabem que eu sou terrivelmente crítica, até comigo mesma. E, mesmo assim, elas me escrevem poemas, que chamam candidamente de poesias.

Isso acontece comigo desde os treze anos e é um fenômeno inexplicável. Se eu fosse linda, ou gostosona, ou simpática, vá lá. Mas eu não sou. A única explicação plausível é que exista uma lei da Física que Newton não formulou: “A capacidade de atrair pessoas que escrevam poemas em sua homenagem é diretamente proporcional à sua aversão pelo fenômeno.”

Mas, voltando...

Contrariada, abri o anexo. Era praticamente uma ode à minha “beleza”. Uma ode bem ruim. Escrevi um agradecimento meio seco e enviei. Dizem que, para bom entendedor, meia palavra basta. Espero sinceramente que isso seja verdade.

Já disse e repito: artistas (bons ou ruins): não quero as suas sensibilidades e sutilezas por perto. A poesia que me interessa eu mesma procuro. Em matéria de amor, a experiência me mostra que só os homens práticos, cartesianos me fazem feliz.

Friday, August 31, 2007

Malcriada

Depois que se separou da mulher, um colega de faculdade mais próximo – mas não tão próximo assim – me veio com essa de me chamar de “amorzinho”, nem isso, “mozinho”, ele diz quando me telefona por algum motivo qualquer. Eu, nada afeita a esse tipo de tratamento, penso cá com meus botões, tal e qual aquele personagem malvado de Cidade de Deus: “Mozinho é o ... Meu nome é Zé Pequeno.”

Questão de química

O fim de semana é o meu Prozac.

Wednesday, August 22, 2007

Flaming June, Frederick Leighton

Sem explicação

O problema reside em: meu tempo não é meu.

Meu tempo é da empresa para a qual trabalho. Meu tempo é da faculdade. Meu tempo é da minha família. Às vezes, meu tempo é dos meus amigos. Mas meu, que é bom, meu tempo não é.

Mentira, às vezes, ele é meu, mas, quando isso ocorre, eu descubro que não sei usar, tal e qual acontece com quem compra um eletrônico sofisticado e só sabe apertar Power, Play, Stop e Pause, qualquer outra função para sempre esquecida no manual não lido.

Obrigação. Lazer. O tédio se insinua em cada ranhura dos meus dias. Não é tristeza, compreendam, é só fastio. Nem chego realmente a me importar. Há momentos em que, como quem acorda de um longo sono, ainda meio letárgica, tenho breves momentos de inquietação e me pergunto se a vida é só isso mesmo, sound and fury, blá, blá, blá.

Meu tempo passa cada vez mais rápido. De segunda a sexta. De sexta a domingo – para onde vão todos os fins de semana? Já procurei entre as páginas dos livros, nas dobras das cobertas, nos quilômetros marcados no odômetro do carro. Não acho.

O supermercado, o almoço de domingo, o cinema. Toda a estranheza do mundo está em mim e ainda sorrio.

Decerto é chegada a hora de ler o manual.

Thursday, August 02, 2007

Resumindo:

Tudo
muito
chato.

Thursday, July 26, 2007

"A gente quer inteiro, e não pela metade"

Em tempos de Pan, muito se fala sobre a importância do esporte para a inclusão social e a conquista da cidadania de crianças pobres. Já tive grandes discussões sobre isso com uma pessoa diretamente ligada à política pública de esportes. Não há dúvida de que é muito melhor que uma criança esteja numa Vila Olímpica praticando esportes do que no meio da rua aprendendo a cometer delitos; não obstante, é óbvio que a prioridade não deve ser essa.


Uma justificativa? Dou um exemplo: ontem duas atletas adolescentes provenientes de comunidades carentes deram entrevista ao vivo em um telejornal. As meninas eram medalhistas, mas não sabiam articular os pensamentos mais simples, ficavam perdidas e repetiam as mesmas frases vazias duas, três vezes. Fiquei constrangida por elas.


Isso é dar cidadania? Passados os anos de glória no esporte, o que vai lhes sobrar? Que lugar vão ocupar na escala social e profissional? Vão viver os resto da vida com um salário mínimo por mês, comendo mal, sem acesso à saúde, tendo dez filhos, que, por sua vez, poderão ou não ter a mesma "sorte" e possuir um talento natural para uma passagem gloriosa - porém breve - pelo esporte?


Que ninguém venha me falar de esporte como se fosse o caminho para dar às pessoas uma vida melhor. Por favor, dêem-lhes escola de qualidade e, com isso, o que mais lhes convier - esporte, dança, arte... O povo agradece.


Monday, July 23, 2007

A batata frita e o tomatinho-cereja

Ontem, no restaurante, uma das minhas primas* deu batata frita ao pequeno príncipe. Ele tem um ano e dois meses e nunca havia comido fritura de qualquer espécie. O que me deixou passada é que ela nem consultou a mãe da criança. Foi dando aquilo a ele e achando muito divertido que ele largasse o tomatinho-cereja, que ele adora, para comer aquela gordurada. E não foi umazinha, não. Foi entregando a ele vários palitinhos fritos, um atrás do outro.

Não é que eu ache que ele vai passar a vida inteira só comendo coisa saudável. Não sou Poliana. Mas acho que se pode esperar que o menino manifeste o desejo de comer porcaria; ninguém precisa incentivar. No parquinho, por exemplo, ele gosta de "comer" seixos e areia. O que é que se vai fazer, além de vigiar? Nada, né. É só dizer Não come, que isso faz mal. Ele vai olhar para o lado e perceber que ninguém come pedra e terra. Mas batata frita? Como convencer que aquilo não presta?

*Uma daquelas minhas primas de que já falei aqui, que dizem ter "tendência para engordar", mas que só comem porcaria.

Friday, July 20, 2007

Férias sem grandes momentos

Coisa boa é poder dormir até as oito, sem o maldito despertador tocando Bach às seis e meia da madrugada. Férias nem precisam ser as mais excitantes do planeta; só de não ter que ir a ou pensar em trabalho, minhas idéias ficam leves e soltas.

Estou um pouco decepcionada. Entre as minhas queridas amigas blogueiras, não existe uma carioca que me indique um spa urbano! Assim fica difícil exercitar meu lado mulherzinha fútil, que eu nem sei se existe.

Descobri que sou uma grande mentirosa. Não lhes disse que não estava nem aí para o PAN? Mentira! Abstraindo o fato de que odeio a idéia de ser no Rio, não perco nenhuma trasmissão pela TV e devo confessar um certo arrependimento por não ter comprado ingressos para algumas competições.

Devo ir a São Paulo na próxima semana. As pessoas me olham horrizadas quando digo isso. Não entendem. Ir a São Paulo nas férias! Ô, gente, preciso colocar minha vidinha cultural em dia: o Museu da Língua Portuguesa, essas pequenas delícias sem glamour. E de ônibus, por razões óbvias. Nunca viajei de ônibus, acreditam? Devo ser um ET.

E por que as minhas férias têm sido, invariavelmente, sem grandes viagens? O plano imobiliário, lembram-se? A poupancinha cresce a olhos vistos. E aí me pego querendo um imóvel cada vez mais caro, o que me faz me perguntar se desejo realmente morar sozinha ou se estou insegura e prefiro ficar adiando. Uma mulher véia com essas nóias! Isso é uma ver-go-nha!

Thursday, July 12, 2007

A música do PAN

Quem organizou essa cerimônia de abertura do Pan? Ouvi hoje no rádio que serão o Arnaldo Antunes e uma tal de Ana Costa (who the hell...?) os cantores responsáveis pelo show de amanhã. Eu adoro o Arnaldo Antunes, mas convenhamos: ele não me parece ter perfil para abertura de Jogos Pan-americanos. Não seria mais adequado algum artista mais alegre e empolgante? E essa obscura aparição feminina?

Sinceramente, essa eu quero ver.

Wednesday, July 11, 2007

Declinar de meme é muito feio

Eu sei, Ana, e não ignorei ou esqueci, mas estava naquele período imediatamente anterior às provas finais, ou seja, estava doida demais para falar de livros. Pois bem, agora vai, embora eu bem saiba que ninguém está mais interessado.

Lembram daquele livro usado e nojento que eu comprei? Era A Hora de Cinqüenta Minutos, de Robert Lindner, escrito em 1952. Consegui ler. Nele o autor, que era psicanalista, narra cinco casos que passaram por seu consultório, preservando, obviamente, a identidade dos clientes. Para quem gosta de psicanálise é interessantíssimo. Talvez até para quem não gosta. A narrativa se divide em cinco capítulos, um dedicado a cada caso, e flui como uma obra de ficção, com ganchos de suspense até o fechamento de cada história. Particularmente, me serviu como um pequeno teste. Ia diagnosticando os sintomas e, ao final, checava se minhas habilidades estão sendo aprimoradas na universidade. De fato, estão. Rorrô!

Divergindo do discurso usual de profissionais da área, Lindner expõe com franqueza as suas inseguranças, as suas insatisfações e os seus erros em cada caso. Só isso já vale a leitura. O único inconveniente é aquele que já contei aqui: não existem exemplares novos para comprar. Se você gosta de livro velho – ou seja, poeira e mofo, na melhor das hipóteses, ou respingo de poça de lama, como no caso do exemplar que eu consegui num sebo –, recomendo a leitura. Se não, nem precisa fazer o sacrifício, porque o livro, apesar de ser de leitura agradável, não é nenhuma obra-prima.

Minhas neuroses e minhas frescuras

Contando os dias, as horas, os minutos e os segundos até chegarem as benditas dezoito horas de sexta-feira. Férias, até que enfim. Duas semaninhas de refresco mental. Ando a mil, meu estresse deve estar batendo níveis altíssimos e, quando estou assim, todas as contrariedades adquirem proporções irreais e exageradas. Esse PAN, por exemplo. Eu fico presa em engarrafamentos enquanto uma faixa do trânsito fica livre, reservada para veículos autorizados. Não acho graça nenhuma, não estou nem aí para esse evento. Cidade maquiada, polícia maquiada, poeira jogada para baixo do tapete. Tanta prioridade deixada de lado para isso. Dá até nojo.

Para deixar meu mau humor de lado, eu só quero um dia inteiro de relaxamento num desses spas urbanos, com massagens, banhos disso e daquilo – alguém me recomenda algum?

Monday, July 09, 2007

"Qual a paz que eu não quero conservar para tentar ser feliz?"

Perguntinha boba, mas se eu paro para pensar...

Comecei a semana sabendo que ia ter que fazer um monte de coisas insuportáveis. Tudo por conta de agradar. Agradar família, agradar amigo, agradar empresa. Eu fico muito frustrada. Não, mentira, frustrada não transmite “a” idéia. Eu fico é de saco cheio. Se vocês soubessem quantas concessões eu faço pelos outros. Enfrento furadas que não faço nem por mim mesma. Só que vou fazendo, em geral, sem me dar conta. Mas, às vezes, calha de acumular um monte situações absurdas em poucos dias. Que raiva! Fico pensando se as pessoas têm idéia do que impingem às outras com seus pequenos caprichos. Aposto que nem se tocam. Eu tomo um cuidado extremo para não ser espaçosa e não exigir que compartilhem as minhas visões de mundo e as minhas chatices. E não é que eu faça o gênero boazinha, muito longe disso. É só uma questão de respeito, quase de ética. Mas você pensa que alguém reconhece? Que nada! Minha fama é de antipática e egoísta. A percepção do outro sobre mim ainda me choca. Grandes sacrifícios para mim, pequeníssimos para o outro. E vive-versa, talvez. A única solução é adotar a tática do E daí?

Ah, se eu pudesse!

Friday, July 06, 2007

Estrelas mudam de lugar

Vou dizer-lhes algo que, nem em meus pensamentos mais delirantes, imaginei ser possível:

FUI A UM SHOW DO ROBERTO CARLOS.

Fui porque era um evento beneficente. E o mais surpreendente disso tudo é que eu sabia as letras das músicas e cantei junto com a platéia que lotava o Teatro Municipal anteontem, o que prova que o aprendizado por osmose é uma realidade. O repertório incluía apenas aqueles clássicos que meu pai sempre ouve (e toca ao violão!) lá em casa. Para minha sorte ficaram de fora as canções recentes (homenagem à mulher gorda, de óculos, baixinha...) e as “maria-ritices” chatíssimas que ele tem gravado.

O resumo? Roberto Carlos é simpático e doce, não é feio como na TV e não desafina nunca, pasmem. Ele parou com a mania de não cantar certas músicas e não pronunciar determinadas palavras por superstição; disse que a terapia está dando um jeito no TOC (vejam, hereges, como a Psicologia funciona!). Seu show, apesar da boa estrutura, foi perfeito porém frio. No meio do palco, tinha um baita piano de cauda – branco e brega. Ao final do espetáculo, ele passou muito mais tempo do que necessário jogando zilhões de rosas, beijadas uma a uma, para as senhoras da high society que se descabelavam querendo pegá-las.

Thursday, June 21, 2007

Longe do comercial de xampu

Eu acho engraçado quando as pessoas me dizem Mudou o penteado! como se isso fosse uma opção minha. Nunca é. É ele, o cabelo, quem manda. Se eu mudo o penteado, ou seja, prendo o cabelo, é porque, de outra forma, não haveria como sair de casa.

Na hipótese de eu ter que escolher entre ficar rica ou ter um cabelo bonito e obediente, juro que eu ia ficar na dúvida.