Final de semestre, parece que a vida pára, vira outra coisa - um amontoando de livros, cópias xerox e discussões inúteis. Até ontem tive provas, o que para mim nem é ruim. Ruim mesmo é ter que fazer trabalho de grupo. Meu Deus, eu tive que fazer SETE trabalhos de grupo nas últimas quatro semanas.
Vocês nem imaginam como isso é difícil para mim. Primeiro porque eu me acho a rainha da cocada preta e não tenho paciência para ouvir os outros. Arrogância, sim, eu sei. As pessoas são assim: “Antes de entregar, vou mostrar o meu trabalho ao meu namorado, que é mestrando [em outra área, acreditem], para ver o que ele acha.”, ou “Vamos mostrar o que fizemos até agora ao professor, para ver se está certo?”. E eu nunca peço a opinião de ninguém sobre os meus trabalhos. Tenho tanta confiança no meu taco que chego a ser prepotente. Mas eu tenho reforço de anos. Nunca pedi opinião de ninguém e sempre me dei muito bem, então acho que não podia ser diferente.
Aí me toco que tenho que dividir a liderança, que eu sempre pego porque ninguém está nem aí mesmo. Ou resolvo delegar tarefas. Peço que as pessoas redijam o texto final. Jesus, Maria, José! O que aparece é sempre incrível. Este mês tive um copiar/colar do conteúdo da Wikipédia sobre o tema de pesquisa. Fiquei estarrecida com a imaturidade do cidadão. Que ingenuidade achar que ninguém ia sacar que tipo de texto era aquele. Só de olhar, eu já sabia; imaginem o professor! E há os 98% dos alunos que escrevem horrivelmente. Não é só questão de não dominar a língua, é mais que isso. Os pensamentos não têm linearidade, são todos desconexos. É preciso ler cada parágrafo umas cinco vezes antes de entender o que o sujeito quer dizer. Quando se consegue, pode-se passar, então, a corrigir os erros de ortografia, pontuação, concordância...
E sempre rolam as discussões inúteis, as brigas de egos (sendo o meu o piorzinho, quase nem sobra espaço para mais ninguém), e aí o trabalho de grupo acaba virando um “cada um faz uma parte em casa e depois a gente junta tudo” – trabalho frankensteiniano, mal costurado, um fiasco. Vocês acham que alguém se importa? Tirando a nota mínima para ser aprovado, fica todo mundo feliz. Menos eu, claro.
Juro, estou com saudades de fazer faxina, ver novela idiota e ler revista de mulherzinha à beira da piscina. Gastei todos os meus neurônios. Não há como agüentar tanto trabalho em grupo!