Monday, November 20, 2006

Sigo

Pois bem, é feriado e eu trabalho. Ou melhor, venho ao trabalho, pois não há nada a fazer. O dia é quase morto, é só olhar pela janela a vida em câmera-lenta. O gramado do parque está verde da chuva da semana passada e há gente deitada nele, pegando o restinho do sol fraco. Horas vazias e letargia.

Eu penso na bagunça do armário, no fim do semestre, nas provas que se aproximam, nos trabalhos a entregar, nas entrevistas de estágio. Tudo muito. Chega a me dar uma sensação sufocamento. Eu não sei funcionar assim, caoticamente.

E tem a angústia. A faculdade para quê? O estresse para quê? À noite, tenho caminhado apressada pelo longo quarteirão que separa a universidade do estacionamento e me sentido, dramaticamente, muitíssimo infeliz. Depois fico feliz, só porque, dirigindo para a casa, posso ver as luzes da orla refletidas no mar que rodeia a ilha.

7 comments:

Marcos said...

Criança eu me questionava para quê comer se a comida iria virar fezes, urina, suor... Depois de entender o mecanismo de aaquisição e transformação de energias, infelizmente perdi mais uma coisa a que questionar. Hoje fico me perguntando se a natureza não é sádica.

Wagner said...

Ainda é aquele mesmo emprego? Pelo visto as coisas não mudaram muito no seu trabalho...

Pelo menos, ainda que nem tudo tenha mudado tanto, este espaço aqui mudou (e eu quase não o encontro mais — ainda bem que você não trocou o nome...)

Ah, eu voltei.

Lys said...

Marcos, que a natureza seja sádica eu posso até aceitar. Difícil é perceber que talvez eu seja masoquista. ;)

Wagner, o problema não é o emprego desta vez, embora seja ainda o mesmo emprego. A angústia é a faculdade agora. Eu tenho sempre que inventar uma. Coisa de gente doida.

Sonia said...

Cheguei aqui através do Hebdomadário. Também passei o feriado trabalhando, mas é trabalho do qual gosto - escrever - mas, em troca, dá prazer mas não dá dinheiro. Me identifiquei com você quando diz que a simples visão do mar faz esquecer o estresse. Até para ir ao supermercado eu vejo o mar, e aí dou graças por morar num lugar assim.

Lys said...

Sonia, a visão do mar é um privilégio mesmo. A gente não precisa nem entrar na água para recarregar as energias, não é? Quanto à questão do emprego, para mim, já percebi como são as coisas: ou prazer ou dinheiro. Nunca consegui juntar os dois. Mas há gente que diga que consegue.

Marcela said...

Lys, obrigada pela mensagem de preocupação. Eu não estou me dedicando assim ao doutorado, na verdade eu cansei daquilo lá. Estou estudando para um concurso. Quero outra vida, cansei dessa aqui. Entende? Não se preocupe, ainda estou sã, só não sei até quando. beijos

Lys said...

Marcela, estou a dois passos de fazer a mesmíssima coisa. Acho que você está certíssima. Só se vive uma vez, baby!