Thursday, November 09, 2006

Eu tenho medo de loucos

Mas eu não estudo Psicologia?

Estudo, mas e daí?

Desde que comecei o curso, em 2004, de vez em quando marcam uma visita a um hospital psiquiátrico (hoje é necessário usar esses termos politicamente corretos, embora palavras como hospício ou manicômio reflitam muito mais a minha idéia acerca dessas instituições). Bem, que eu me lembre, minha turma já fez três dessas “visitas”, que não são obrigatórias; vai quem quer e pode.

Eu não posso. Eu trabalho durante o dia.

Meu argumento é esse. Até dou umas esperneadas, digo que os professores não levam em conta que os alunos que estudam à noite não o fazem por prazer mas por necessidade. Como é que eu vou faltar ao trabalho, assim, sem mais nem menos? Mas, no fundo, dou meu suspiro de alívio. Não é que eu tenha medo deles; é que eu não posso.

Veja que bonito: a psicóloga que tem medo de doidos. Vai terminar no RH a coitada. Logo ela que detesta tanto. Isso se resolver abrir mão do seu emprego atual, para aturar estágio que paga, no máximo, 10% do seu salário.

O futuro é negro, meu povo.

5 comments:

carla said...

Hohohoho! Lys, so voce... fazer psicologia e ter medo de loucos! Ainda tem a opcao de ser psicologa de escola, viu? Mas eu acho que, entre os dois, eu ficaria com o RH.

Ana Paula said...

olha, na minha experiência como filha de psiquiatra, tô pra te dizer que (sim, ok, eu tenho medo) medo mesmo tenho é dos "certos".

e de ficar doida.

os piores "doidos" que eu vi, quando estavam com minha mãe, eram os considerados "normais". nesses, dava uma vontade de dar uma TUNDA DE LAÇO. tipo analista de bagé. é que eu sou chique. dilicada. meiga, sabe?

ah, sobre o HOMO SACER... pretendo usar no doutorado. pro mestrado não deu tempo. um colega argentino que me apresentou à obra e eu não consegui me aprofundar o suficiente pra trabalhar na dissertação. e sim, eu ando doida pra ler uma coiseca ficcional. de mulherzinha, preferencialmente.

Lys said...

Carlita, Psicologia de escola? Deus me livre. Antes o RH. Por coincidência, estou cursando Psicologia Escolar este semestre. A mulher chega lá e fala, fala, mas não diz nada. Já vamos quase nos finalmentes do curso e ainda não descobrimos o que de fato faz um psicólogo escolar; só sabemos o que ele NÃO faz. A piada é, ao final de cada aula, perguntarmos secretamente uns aos outros "Afinal, o que faz um psicólogo escolar?"

Dona Penkala, uma mãe psiquiatra? Saca que você nunca falou disso? Falou muito do seu pai, até do trabalho dele, viagens e tal. Mas mãe psiquiatra, nunca. Taí um tópico para você explorar quando puder respirar tranqüila. Eu vou adorar ler sobre isso.

Mas os doidos,né? "Eles pegam na gente e pedem coisas (um brinco, um cigarro)", me dizem os que vão às visitas. Nossa, e eu não sou nada pegável. Toda cheia de não-me-toques. Está vendo o drama? Proibitiva demais essa interação para mim. O que é eu posso fazer?

Ana Paula said...

ah, mães psiquiatras! dureza. por causa disso eu conheci (no sentido civil e social, não no bíblico e nem no profissional)todos os psiquiatras da minha cidade e, portanto, ficou completamente impossível me tratar com qualquer um deles. por causa disso, também, eu acabei lendo muito mais sobre psicologia que alguns dos alunos do referido curso, os quais eu conheci por estudarem no mesmo campus que eu.

enfim, toda uma história horrenda e cheia de mistérios, aventuras e romance (não, romance não) que eu um dia ainda conto. aliás... fui até secretária da minha mãe. já fiquei numa sala sozinha, sem nenhum psi no prédio (mãe atrasada) enquanto DUAS pessoas estavam surtando. coidilôco.

sabe, os doidos não me pedem nada. os que eu conheci, os beeeeeeem fora desse mundo, ficam me olhando e só querem saber meu nome.

e eu não sei me comportar perto deles. morro de vergonha, medo e pânico. racho a cara da minha mãe.

Lys said...

Ana, esta sua frase

e eu não sei me comportar perto deles. morro de vergonha, medo e pânico.

simplesmente diz tudo o que eu sinto.

Hospital psiquiátrico é hardcore demais para mim. Vou ficar só com as neuroses urbanas light. Quem não tem competência não se estabelece. Melhor fazer pouco bem feito do que ficar querendo abraçar o mundo com as pernas.