Monday, April 20, 2009
A mulher de Áries
A ariana zela.
Tem caráter dominador
Mas pode ser convencida
E aí, então, fica uma flor:
Cordata… e nada convencida.
Porque o seu denominador
É o amor.
Eu cá por mim não tenho nenhum
preconceito racial:
Mas sou ariano!
Vinícius de Moraes
Friday, April 10, 2009
Comédias da vida privada
Todo dia a mesma coisa. Meu pai varrendo o quintal. Varre, varre, varre. Pára, olha para trás e vê que caiu no chão uma folha de árvore ou uma pétala de flor. Xinga os palavrões mais cabeludos. Volta e recolhe o pedaço da planta rebelde. Varre, varre, varre... [Repeat mode ad infinitum]
Monday, April 06, 2009
Encontrado por aí
You live like this, sheltered, in a delicate world, and you believe you are living. Then you read a book, or you take a trip, and you discover that you are not living, that you are hibernating. The symptoms of hibernating are easily detectable: first, restlessness. The second symptom (when hibernating becomes dangerous and might degenerate into death): absence of pleasure. That is all. It appears like an innocuous illness. Monotony, boredom, death. Millions live like this (or die like this) without knowing it. They work in offices. They drive a car. They picnic with their families. They raise children. and then some shock treatment takes place, a person, a book, a song, and it awakens them and saves them from death.
Anaïs Nin, via Lolla
Wednesday, April 01, 2009
Entre a cruz e a caldeirinha
Monday, March 30, 2009
Música e melodramas
Vocês nem sabem o poder entorpecente que a música tem em mim. É só por isso que eu não choro.
Saturday, March 28, 2009
Ah, Cortázar!
Wednesday, March 18, 2009
Reflexões pré-quarenta: O peso da idade
Sunday, March 15, 2009
O que é que há, velhinho?
Quando acabou, tchunf: vácuo! E a clareza de que é preciso saber lidar com isso, com esse vazio crescente que se impõe, mesmo que eu finja, às vezes, que ele não está lá.
Refill, please!
A “temporada de preenchimento”, portanto, acaba de começar, embora, como boa seguidora do barbudo de charuto na mão, eu saiba que esta falta não se consegue tamponar; tudo o que se faz é mera distração. Então, começo a enganação pelo que é simples: Pilates, blog, diversão... Sobre o resto eu penso depois.
Sunday, February 22, 2009
Filosofia barata de Carnaval
Aplicável a tanta coisa nesta vida. Eu nem fazia idéia.
Friday, February 13, 2009
Tuesday, February 12, 2008
Sorte no jogo
Correndinho, me esgueirando para escrever este post de casa, eu preciso dizer que eu devia acordar todos os dias com um grande sorriso, mesmo às seis e meia da manhã, e agradecer pela minha vida ser tão fácil e tudo dar tão certo (a parte prática, é claro, não mencionemos minha vida amorosa inexistente).
Eu achei que a empresa - leia-se Mr. President - ia colocar mil empecilhos para me liberar algumas (muitas) horas para eu ir para a clínica da universidade antes do fim do expediente. O que aconteceu? Ele não só me liberou, mas se mostrou genuinamente contente em saber que estou prestes a me formar e que poderia ajudar.
Thursday, January 17, 2008
Vazia
Na verdade, amanhã é meu último dia de férias. Absurdamente volto ao moedor de carne numa sexta-feira -- alguém aí já viu algo assim?
Que lixo de férias eu tive. Tudo por causa da minha indolência e falta de vontade de qualquer coisa. Estou incapaz de colocar umas coisas na bolsa, jogar no carro e partir rumo a Parati, Angra, Búzios, o inferno. De bom, só uns livros lidos na rede, umas tardes na piscina (pero fugindo sempre do sol), duas sessões de cinema e muito bate-perna em shopping (gastando, gastando, gastando...).
R. me telefonou hoje. Está no Brasil até domingo e quer me apresentar o namorado novo, suíço. Somos amigas, faz um ano que não a vejo, mas eu tenho preguiça até de ir vê-la. É lógico que não disse isso a ela, então amanhã vou fazer programa de gringo: Santa Teresa, de bonde. Eu só vou lá de carro. Veja que isso envolve todo um esquema de pegar ônibos até o centro. Eu nem sei mais andar de ônibus. Quando eu pegava ônibus, a porta de entrada era atrás. Fico feito barata tonta mesmo. Desconfio de todo mundo, acho que vou ser assaltada a qualquer momento. Depois, andar para trás para saltar, acho bizarro. Sou uma velhinha e qualquer dia vou começar a dizer "no meu tempo, isso e aquilo".
Um pequeno encatamento existente ainda é dirigir pelo Aterro, rumo a Botafogo, em dia de sol. Os morros na Urca, o mar pontilhado de embarcações. Azul, verde, azul, verde, azul, verde. Que sorte. Se eu tivesse nascido em uma cidade menos absurdamente linda, o que ia me restar?
Sunday, December 16, 2007
Caí na real
Não está dando nada certo este esquema que eu inventei. Ler blogs só fora da empresa, no tempo livre? Que tempo livre? E pior, quando finalmente consigo uma brecha na correria rotineira, tenho que colocar em dia mais de uma semana de atualizações de todos os blogs que eu leio. Pfff! Não dá. Vou precisar pensar em outra fórmula (embora eu saiba que não há outra).
E escrever? Tanta coisa acontecendo aqui. Quero contar para vocês, voltar a interagir todos os dias, deixar que dêem palpite... Sinto saudades, acreditam? Pois.
Acho que todo mundo devia ter o direito de acordar de manhã, sentar-se para tomar o café olhando o jardim e depois fazer algo que lhe desse prazer - no meu caso, ler/escrever - antes de sair para o trabalho. Virou moda chamar isso de qualidade de vida. Juro que não sei do que se trata. Mitologia, ficção. Qualidade de vida devem ter duendes e fadas, não é?
Sunday, November 04, 2007
Nota da Redação
Comprei um computador para uso exclusivo meu aqui em casa. Como eu consegui compartilhar uma máquina com meu irmão por todos esses anos me parece, agora, um mistério a ser investigado pela ciência. Ele é computer geek total e, a cada vez que eu ligava o PC, descobria que ele havia mudado alguma coisa de hardware ou movido arquivos e programas para cantos inescrutáveis. Era de torrar a paciência de qualquer santo, imagine o que acontecia comigo, que não tenho paciência nenhuma.
Com a compra do meu computador, evidenciou-se um outro problema: eu quase não tenho tempo livre que coincida com momentos de privacidade (condição sine qua non para alguém que pretende escrever um blog secretamente).
Então ficamos assim, caros amigos (vocês bem sabem quem são): a lê-los, continuarei, podem estar certos. Quanto a comentar ou escrever, fica para quando der. Se der.
Inspira, expira
Ainda não está nada certo e, confirmando-se a aprovação no processo de seleção, terei que respirar bem fundo, entrar na sala de Mr. President e negociar mudanças no meu horário de trabalho. Lembrando das aulas de terapia cognitivo-comportamental – a linha da Psicologia que menos faz sentido para mim – eu fico aqui tentando evitar pensamentos disfuncionais e procurando lembrar que o máximo que pode acontecer é ele me dar um sonoro NÃO no meio da cara. A técnica, no entanto, não está se mostrando nada eficaz, confesso.
Thursday, September 13, 2007
Leia o livro, veja o filme e ouça o livro
I wonder who first discovered the efficacy of poetry in driving away love!
I have been used to consider poetry as the food of love, said Darcy.
Of a fine, stout, healthy love it may. Everything nourishes what is strong already. But if it be only a slight, thin sort of inclination, I am convinced that one good sonnet will starve it entirely away…
Jane Austen em Pride and Prejudice
Pois é, as coincidências. Preciso dizer o quanto eu ri ao ouvir isso logo após escrever aquele texto sobre o fatídico poema?
Pela primeira vez, estou ouvindo um audiolivro*. Não por acaso, escolhi um que já havia lido antes. Não vou discorrer novamente sobre o meu apego às obras da Jane Austen, dona de um imenso talento para expor o ridículo da sua época com a mais fina ironia. Venho ouvindo no carro e gargalhando muito enquanto os outros motoristas ficam me olhando como se eu fosse doida. A história, embora nada inédita para mim, é tão divertida!
Empolgada com a novidade, cheguei a procurar audiolivros brasileiros, mas, pelo jeito, são horríveis. O narrador da obra cujo trecho eu ouvi é artificial e pomposo. Não sei se é assim para outros livros (não tive paciência de ouvir outros), mas acredito que ficarei restrita à minha primeira e única aquisição.
*áudio-livro?
Tuesday, September 11, 2007
Alguém tem coragem de verbalizar
"Os homens nunca se apaixonam perdidamente. Já as mulheres se apaixonam de uma forma que dá até pena."
Wednesday, September 05, 2007
"Canta, ó, musa, a ira de Aquiles!"
Medo. Oremos.
Evitei abrir o anexo; na verdade, queria deletar tudo sem ler. Aquilo que virou moda chamar de vergonha alheia tomou de mim em antecipação ao que meus olhos estavam por encontrar. Mas não podia simplesmente fazer isso, pois sabia que ele ia me interpelar na faculdade hoje sobre o assunto. Porque as pessoas, vocês sabem, não têm simancol. E são ousadas. Elas sabem que eu sou formada em Letras. Elas sabem que eu sou terrivelmente crítica, até comigo mesma. E, mesmo assim, elas me escrevem poemas, que chamam candidamente de poesias.
Isso acontece comigo desde os treze anos e é um fenômeno inexplicável. Se eu fosse linda, ou gostosona, ou simpática, vá lá. Mas eu não sou. A única explicação plausível é que exista uma lei da Física que Newton não formulou: “A capacidade de atrair pessoas que escrevam poemas em sua homenagem é diretamente proporcional à sua aversão pelo fenômeno.”
Mas, voltando...
Contrariada, abri o anexo. Era praticamente uma ode à minha “beleza”. Uma ode bem ruim. Escrevi um agradecimento meio seco e enviei. Dizem que, para bom entendedor, meia palavra basta. Espero sinceramente que isso seja verdade.
Já disse e repito: artistas (bons ou ruins): não quero as suas sensibilidades e sutilezas por perto. A poesia que me interessa eu mesma procuro. Em matéria de amor, a experiência me mostra que só os homens práticos, cartesianos me fazem feliz.

