Wednesday, March 18, 2009

Reflexões pré-quarenta: O peso da idade

É impossível não começar a repensar a vida enquanto vejo esvaírem-se irremediavelmente os 374 dias que ainda me restam antes de entrar nos temíveis -enta. Sim, existe o tal mito de que a vida começa aos 40, mas, a julgar pelo que vejo acontecer neste meu corpinho, acredito que não é bem assim que a banda toca. Testemunhar a própria decadência não é nada animador e dar-me conta de que não cometi, nestes 38 anos que desperdicei, nenhum ato digno de nota me joga numa melancoliazinha persistente e enjoada.

6 comments:

Ioney said...

Mas é preciso haver um ato digno de nota, no sentido mais estrito? Não valem as pequenas coisas que a gente aprende, as pequenas coisas que a gente faz pelos outros pra eles ficarem felizes, os pequenos prazeres que a gente pode proporcionar a si e aos outros? E ter metas e cumpri-las? E por aí vai.

Lys said...

Ione, na minha contabilidade melancólica pré-40, não vale nada disso que você citou. Estou pensando em coisas maiores, bem maiores mesmo. Nem dá para começar a contar, sabe?

Carla said...

Linda, voce esta de volta! Que bom reencontra-la.
Sofro do mesmo mal que voce, mas eu to bem animadinha, por mim pulava os 39 e ia logo pros finalmente. Estou pronta, vamos la ver como e essa vida que comeca. Haha!
Carla

Lys said...

Que coragem, hein, Carlita! Eu tô morrendo de medo dos 40, mas é tudo devido ao problema da contabilidade. Me dá gastura pensar tudo o que não realizei. O horror!

Fer Guimaraes Rosa said...

Lys, que bom que voltou a escrever aqui! :-)

Vou te contar uma coisa. Aos 25 eu estava me lastimando sobre idade numa mesa cheia de mulheres mais velhas. Eu dizia--ai nao sei como vou conseguir enfrentar a chegada dos trinta, vai ser um horror e tals e tais. Uma das mulheres olhou pra mim e disse--voce esta pensando assim porque ainda nao tem maturidade pra entender o que eh ter trinta anos. So qdo voce chegar la eh que vai perceber o quanto eh legal.

E ela tinha toda razao! Me senti uma tchonga quando fiz trinta e finalmente entendi o que era fazer trinta. E foi a mesmissima coisa com os quarenta.

Eu agora estou me preparando para os cinquenta--de bico bem fechado! :-)

beijaooo,

Lys said...

Fer, me senti exatamente como você descreveu quando fiz trinta anos: foi só um medo inicial que depois se converteu em uma intensa satisfação comigo mesma. Mas agora tenho a horrível sensação de que não realizei/vivi quase nada do que desejo. E o pior? Não dá mais tempo para correr atrás do prejuízo das escolhas erradas.

Beijo procê!