Wednesday, June 06, 2007

A soberba e a falta de tato

Eu tenho um defeito, ou melhor, eu tenho vários defeitos, mas há um que considero grave e que me incomoda muito: às vezes, eu falo demais. Que por falar demais não se entenda “tagarelar enlouquecidamente”, mas sim “dizer o que não se deve a pessoas a quem não se deve, em lugares impróprios”. Como ontem, por exemplo. Eu discorria sobre um outro defeito meu: a impaciência com as situações grupais forçadas pelos professores, tipo trabalhinhos em grupo, discussões em sala de aula etc. Eu disse a uns colegas de turma que não gosto dessas atividades, que não tenho disponibilidade para discussões e, pior, que eu sou arrogante a ponto de não ter a menor vontade de tentar convencer os outros sobre a validade das minhas idéias. Duas meninas me olhavam com os olhos arregalados enquanto eu ia despejando meu arsenal de palavras inoportunas. O ápice da falta de tato se deu quando pronunciei, com todos os efes e erres, que não estava muito interessada na troca com outros alunos e que só o que os professores falavam importava realmente para mim, porque me incitavam a uma certa análise crítica do que eles ensinam. É claro que não sou tão radical assim, mas eu parecia estar tomada por uma peste qualquer e danei a falar. Alguém saiu com a seguinte pérola: Mas assim você menospreza a capacidade intelectual dos seus colegas! Eu disse: Não, imagine!, mas no fundo é isso mesmo, né? Não estou dizendo que só estou aberta a pessoas intelectualmente brilhantes. Não é isso de forma alguma, mesmo porque eu estou bem longe de ser brilhante. Mas quando a questão é acadêmica, desculpe, eu não consigo suportar grupos. Sou do bloco do eu-sozinha, já disse. Eu sei que é quase patológica a minha questão, mas, cá para nós, esse é um dos meus defeitos com os quais eu não consigo me incomodar muito.

9 comments:

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beth said...

Eu também sofro com a mesma impaciência na vida acadêmica. Já passei da idade de ter que suportar idéias adolescentes em discussões e trabalhos em grupos aos sábados, enquanto eu poderia estar fazendo melhor, maior e sozinha. Mas tem jeito não, né? :)

Carla said...

Lys, eu tambem nao gosto muito de trabalhos em grupo. Mas isso nao e uma coisa que seja muito presente na minha vida agora. O tal ato de falar demais, eu entendo. Entendo perfeitamente. Tem horas que pareco possuida, e ate passo a impressao de ser muito pior do que realmente sou.

Wagner said...

Mais um a fazer coro aos que apresentam o mesmo “defeito”, ou quase. Na verdade, agora, também não tenho mais que passar por esse transtorno (na faculdade penei por conta disso), e não poderia dizer que “falo demais”. Porém, o que vejo de semelhante no que você comenta é que, por vezes, dependendo da ocasião, e das pessoas envolvidas, eu me exalto e perco o controle, falando alto e bem mais do que devia — mas é que tem gente que só consegue ouvir de fato quando se grita. O que eu detesto é perceber que, de certo modo, tive que ficar no nível da(s) criatura(s) para poder ser ouvido e, talvez, entendido. Creio que o ideal seria sempre manter a calma e falar claramente o que se deseja ou se pensa, mas nem sempre consigo tal proeza. Depois de ter soltado cobras e lagartos, não me arrependo muito em relação aos outros — já que, geralmente, meu(s) interlocutor(es) merece(m) o que esbravejei — mas, no fundo, fico me sentindo desconfortável comigo mesmo por ter me deixado perturbar por quem não merecia tanta atenção. Mas não tem jeito: eu quase sempre caio nessa armadilha.
Sei que meu defeito não é exatamente como o seu, mas me lembrei dele lendo o post. Em todo caso, posso dizer que te entendo perfeitamente. E ainda arrisco: talvez você, a Carla e eu formássemos um grupo bastante interessante no quesito trabalhos universitários (he he he).

Marcela said...

Eu tenho o mesmo defeito. No mundo acadêmico, as discussões em grupo e os trabalhos são quase uma constante. Não tenho mais saco! Tem dias que o meu tato some e eu acabo falando alguma besteira. Meu orientador me disse que eu preciso trabalhar isso, ou senão vou acabar ficando tão arrogante que ninguém conseguirá trabalhar comigo. Ui, isso machucou demais! Desde então tenho tentado manter certas opiniões para mim. É isso!
Eu tentei mudar, mas é difícil demais. Então eu falo menos.
Beijos

Léli said...

Pois é, ainda bem que não sou a única com resistência aos trabalhos em grupo. E o pior é que... sei que não sou nenhum gênio, só que não tem jeito.
Falo demais por que tagarelo demais e dou minhas bolas foras sempre.
Mas o mais importante Lys é não deixar isto te abalar, se consegues conviver bem com ele deixa pra lá. Nu fundo os trabalhos em grupo são pura matação, dificilmente contribuem com a tua formação e no geral... os coleguinhas querem é moleza enquanto um, geralmente o CDF, faz tudo porque não quer cair no rendimento. Sendo assim... esquece!
Beijão

Lys said...

Nossa, gente, nunca imaginei que teria tanta compreensão a respeito desse meu "defeitinho"! Em geral, é todo mundo tão crítico, e eu mesma não estou me sentindo muito satisfeita de ter feito meu discurso pró-individualismo para o pessoal da faculdade.

Beth, talvez você tenha tocado num ponto importante: a idade. Quanto mais velha, mais intransigente e impaciente eu fico. E na faculdade, ao contrário de mim, quase todos os meus colegas são gente recém-saída dos cueiros.

Carla, não é horrível a sensação de ter ultrapassado todos os limites? Eu passo por isso com uma freqüência maior do que você pode imaginar. E olhe que eu me controlo, mas é como uma possessão!

Wagner, em geral eu não me exalto com as pessoas a ponto de levantar a voz e descer ao nível delas, como você descreveu. Em caso de discussões, eu tenho dois tipos de atitude: se for acalorada demais, eu fico com tanto ódio que tenho vontade de chorar, porque perco toda a capacidade de argumentação; quando a situação é mais tranqüila, eu simplesmente dou de ombros, não tenho paciência de tentar convencer o outro de que estou certa, e fico repetindo mentalmente coisas do tipo "Ai, que pessoa imbecil! Como é que pode pensar assim? Eu é que não vou gastar meu tempo com você, criatura ignóbil."

Marcela, manter nossas opiniões para nós mesmas é a única salvação. O problema é que, às vezes, eu simplesmente não consigo. Fico totalmente fora de controle, irritada, insuportável.

Léli, é que eu evito tanto ser antipática que, quando acontece algo a assim, vejo todo o meu esforço ir por água abaixo. Por não ser comunicativa, acabo criando uma falsa imagem de intocável e pernóstica sem abrir a boca. Imagine o que vão dizer depois das minhas explosões de mau-gênio!

Célia said...

Puxa!Me achei aqui!!rs
Hoje me sinto péssima,justamente porque falei demaia no grupo,na faculdade!
Simplesmente não consigo ficar de boca fechada,falo o que penso pra todo mundo e depois fico morta de arrependimento,poruqe acabo sendo vista como a encrenqueira do grupo!
Mas tenho uma amiga que não permite que ninguém dê a opinião,quando envia os benditos trabalhos em grupo,geralmente ignora as opiniões e coloca o que ela acha!Não tenho saco pra isso,despenco a falar besteiras e quando vejo ja estou encrencada!
Bom saber que não sou anormal,tampouco a única!
:)

Anonymous said...

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