Tuesday, July 18, 2006

A pergunta que eu gostaria de fazer é a seguinte: se você é assalariado, é possível amar seu trabalho eternamente?

Pergunto porque desconheço o que seja satisfação profissional. Posso até ficar feliz temporariamente fazendo algo, mas passar anos a fio na mesma área me entedia tão profundamente que acabo me deixando levar, em certos momentos, por aquela tal “raiva no trabalho” de que falaram na TV semana passada. Para mim, é como levar adiante um casamento desgastado. Daí que, de tempos em tempos, eu preciso mudar não só de empresa, mas de profissão. Não há aí qualquer tipo de ambição (que eu sei ser bem medíocre nesse quesito). O que me deixa louca são as mesmas rotinas e procedimentos reproduzidos ad nauseam.

Os chamados “profissionais de carreira” são como estruturas intrincadas que jamais entenderei. Não entender, entretanto, não é criticar; muito pelo contrário, é ficar bestificada. E invejar. Porque toda essa angústia que me consome não deve lhes fazer nem cócegas nas solas dos pés, e isso deve ser o paraíso na Terra. Ou não?

7 comments:

gabriella said...

acho que talvez eles sintam
cócegas sim, mas apenas o suficiente
para entendiar pouco e logo passar.

belo texto (:

Carla said...

impressionante, eu sou igualzinha a voce. mas maridao e engenheiro e tem muitas cocegas sim, mas ele pode mudar de area completamente dentro da mesma profissao.

Simone said...

Uia! Sou mais perseverante, vou além, atéficar completamente entorpecida pela insatisfação e não sentir mais nada. (Aí me despedem ... desídia!)

mariana said...

Menina, pois fizeste a pergunta fundamental da existência. Ali, juntamente, de mãos dadas e apertadas, com o "ser ou não ser".
Eu também acho uma missão impossível essa a da satisfação profissional certeira e definitiva. Aliás, eu sequer consigo entender como alguém pode descobrir, em tempo, um talento que lhe conferirá satisfação e rentabilidade por anos e mais anos da vida. Assim, as duas coisas juntas, ao mesmo tempo e agora. Sabe que a onda no mundo corporativo é chamar talento de "habilidade vendável"? Apesar de cruéis, eles são bem coerentes, o que aumenta sobremaneira a ansiedade da pessoa.

Marcos said...

Como sou um sujeito completamente sem ambições e gosto muito do que faço... A cada dia invento uma ou outra coisinha diferente, fora manter as relações pessoais da melhor maneira possível, sem qualquer esforço.

Marcela said...

Não sei se conseguiria...Eu sou uma mutante mesmo. Tem horas que eu amo, tem horas que eu odeio. Imagina se eu tivesse que ficar em um escritório o dia inteiro. Hehe. Me matava! Procure o que for melhor para vc! beijos

Lys said...

Será que sentem mesmo, Gabriela? Eu só os vejo querendo subir mais e mais os degraus, querendo chegar ao ápice profissional na mesma carreira.

Carla, você eu já sei como é: arretada! Vê lá se eu vou te imaginar acomodadinha no mesmo lugar por muito tempo!

Simone, note que eu não disse que mudo sempre; eu disse que tenho uma vontade incontrolável de mudar sempre. Mas sou comodista também, fia, ah, como sou! Então muitas vezes convivo vom a angústia. :(

Mariana, menina, você falou umas palavras que me dão até calafrios - "mundo corporativo". Como eu detesto todo o jargão relacionado a esse mundo. Não nasci para isso. Estou batalhando um curso novo em busca da autonomia. Se vai dar, não sei, mas eu PRECISO tentar!

Marcos, não preciso dizer que acho que você é um cara de sorte, preciso?

Marcela, estou procurando, estou procurando!