Friday, July 14, 2006

Explicação

Não escrevo porque gosto. No quesito "gostar", fico com a leitura, que se presta muito mais à minha personalidade de quem apenas contempla e não faz.

Não escrevo porque acho que tenho algo a dizer aos outros. Daqui nada serve a ninguém senão a mim mesma.

Antes, escrever tinha um propósito: desintoxicar. Hoje tem outro: disciplinar a vontade.

Pois há que se ter determinado tipo de disciplina que produza algo, ainda que algo inútil. Assim, vou montando a minha colcha de retalhos, não para me proteger do frio mas para guardá-la num armário já cheio delas. Há dias em que não costuro, e não faz falta, mas ver a colcha incompleta incomoda e, amanhã, então, adiciono outro quadrado colorido ­– ou cinza, porque há dias que...

7 comments:

Daniele said...

Oi Lys, adorei a sua "explicação". Eu adoro escrever, mas não gosto que ninguém além de mim leia. Gosto de guardar e anos depois ler e me divertir comigo mesma.
E já que vc prefere ler, tem um conto do Machado, "O diplomático", que fala justamente de gente que contempla muito mais do que faz. Não sei se vc conhece. Ele não exalta os contemplativos, mas é engraçado, eu recomendo.
Bjs!

Léli said...

ôia, não precisava explicar, mas... eu não concordo com a ponto de não ajuda, não tem importância para ninguém além de mim. Porque? Porque às vezes a gente se reconhece no outro e aquilo que fica difícil de externalizar, como o outro botou pra fora é mais fácil de pensar.
Eu gosto do que tu escreves, e senti saudade tua no teu período de reclusão.
Super beijo!

Vinicius said...

não sei se é falta de modéstia mas eu também sou mais um dos que encabeçam o rol dos que contemplam.
é mais cõmodo,mesmo.

Carol said...

Uia menina, estás de voooolta! Quanto riso, ó quanta alegria!

Pois então discipline sua vontade pela vida afora, com vários quadrados bem coloridos!

Beijos e viiiva!

Lys said...

Daniele, eu também não gosto que leiam o que eu escrevo. Ou melhor: não gosto que CONHECIDOS leiam o que eu escrevo, por isso, escrever num blog e não num papel para se guardar onde possa ser encontrado - isso seria um grande pesadelo.

Seguindo sua indicação, li "O Diplomático" e confesso que em muitas situações sou bem como o tal Rangel, mas não em todas, graças a Deus; tenho meus dias de leoa atrás da caça!

Léli, é verdade isso que você falou de "se reconhecer no outro". Pensando bem, talvez seja isso mesmo que me faça ler os blogs que eu leio e não outros, porque eu busco sempre a identificação; o oposto dificilmente me atrai.

Pradier, não acho que seja falta de modéstia. Na verdade, eu vejo como negativíssima a minha "personalidade contemplativa", afinal eu perco muito por isso; você não?

Carol, vamos à costura! E vocês, heim, andam tão cheias de amoRRRR nos corações. O que foi que houve em Curitiba? É algo no ar?;)


Beijos para todos e obrigada pela visita!

Daniele said...

Oi, que bom que você não é como eu, porque eu adoro ler as coisas que você escreve. Eu sou também bastante contemplativa, às vezes é bom, além de viver, assistir um pouco à vida.
Beijos!

mariana said...

Poxa vida. Vc não faz IDÉIA do tamanho FARAÔNICO da minha identificação. Essa parte de personalidade que contempla e não faz e de disciplinar a vontade pra produzir algo, ainda que inútil...morri, três vezes. (rs)Veja que as vezes a gente tem "algo a dizer aos outros", ou ainda, apenas "diz algo", sem sequer querer ou nem saber. Isso me faz reavaliar o significado de "inútil". Bjs!