Thursday, September 14, 2006

O que é que eu estou fazendo aqui?

Se eu estou numa festa e não me divirto, vem a pergunta. Se eu saio com um cara que se revela um mala, vem a pergunta. Se eu recebo visitas na minha casa que não vão embora nunca mais nesta vida e eu tenho que ficar "fazendo sala" até altas horas, vem a pergunta.

A pergunta traz desconforto, nos mais variados graus, porque sinaliza a minha “inadequação”.

Estabeleceu-se que ser gregário é ser saudável. Logo, ser chegadinho numa misantropia é ser inadequado, esquisito e antipático. Isso é tão cansativo, vou te contar. Eu nunca fui muito sociável, mas antes eu até tolerava mais os agrupamentos. Hoje, cansei. Existe uma intolerância e uma ranhetice preenchendo todo o meu pequeno ser.
E agora parece que fazer faculdade se resume em dividir pessoinhas em grupos para qualquer tarefa meia boca. Formem grupos para discutir o texto, para responder às questões, para pensar em possíveis soluções para isto e aquilo. Eu até tento, mas e a impaciência? Deus, ouvir abobrinhas e fingir que me interesso. Se bobear, fico pensando na novela das oito, no vestido que vi na vitrine, no sexo dos anjos, e aí, se me perguntam se eu concordo com alguma coisa, ferrou, porque não tenho idéia do que estavam falando. Aí, de novo, vem a pergunta:
O que é que eu estou fazendo aqui?

3 comments:

Suzana said...

Oi, Lys;

Eu entrei nessa fase há muuuuito tempo - uma das causas (mais uma) do meu divórcio. Odeio "comparecer". "Temos que ir porque fica chato não ir". Por quê? O fulano andou solenemente pra tudo o que a gente fez em casa até hoje - e fica chato não ir? C. solenemente. Eu também fico, muitas vezes, em casa nos fins de semana. Na minha, fazendo as minhas coisas, cuidando de cachorros e plantas. Tenho pouquíssimos amigos. Odeio ajuntamentos - página do Orkut com 600 "amigos" é desprezível. A gente aprende a se ouvir mais quando pára de viver em bando, escutando as gralhas à nossa volta.
Corta o cabelo, menina :o)
Bjs

Fezoca said...

ai, nem fale.... esses grupinhos sao um saco. eu nunca fui de pertencer a turmas, mas vejo que essa eh a regra geral, todo mundo fazendo coisas juntos, como se fossem siameses. cansa mesmo. beijos!

Lys said...

O problema, Suzana, é que não há muito lugar hoje para aqueles que não estão dispostos a se integrar a esse movimento do "juntos chegaremos lá". Estou frita, neguinha.

Fer, é uma enjoação mesmo. E o pior é que só se fala nisso tanto no trabalho quanto na universidade: trabalho de grupo, sentimento de equipe, somos um time yadda, yadda, yadda. Tem que aturar, caso contrário você está fora do mercado.